Nina e o Rebanho de Amor

 


Uma Chegada Diferente 

O sol brilhava alto no pasto verdejante, e as abelhas zumbiam entre as flores. Era um dia que prometia ser perfeito, mas logo se tornou agitado com uma novidade. O Pequeno Pastor Davi chegou com algo especial nos braços e um sorriso largo no rosto. — Pessoal, reúnam-se! — chamou ele. — Trouxe uma nova amiga para fazer parte da nossa família. Esta é a Nina!

Com muito cuidado, como se ela fosse feita de cristal, Davi colocou a ovelhinha no chão. Nina era pequena, com a lã branca como a neve, mas olhava para o chão, tremendo um pouco de timidez diante de tantos olhares novos.

As outras ovelhas, sempre curiosas, correram para cumprimentar a recém-chegada, esticando os pescoços para cheirar a sua lã. Mas, quando Nina tentou dar o primeiro passo para se apresentar, o silêncio caiu sobre o rebanho. — Olhem! — berrou uma ovelha mais jovem, com os olhos arregalados de espanto. — Ela anda mancando! Que estranho! — É verdade! — concordou outra, franzindo o nariz. — Esperem... contem comigo: uma, duas, três... Ela só tem três patas! Onde foi parar a outra?

Um murmúrio de confusão e estranheza espalhou-se como vento entre as ovelhas. Elas estavam acostumadas a ver quatro patas em todos os animais. Aquilo era novo, e o novo as assustava. Algumas deram passos para trás, cochichando entre si e criando um círculo vazio ao redor de Nina. Nina sentiu o rosto arder e encolheu-se, tentando ficar invisível. Ela baixou a cabeça, escondendo os olhos marejados na própria lã. Tinha perdido a patinha num acidente quando ainda era muito bebé e, embora tivesse aprendido a andar e correr do seu jeito, sabia que era diferente. Mas saber que era diferente não fazia doer menos quando via os outros afastarem-se com aquele olhar de dúvida, como se ela fosse um erro.

O Medo do Desconhecido

A tarde arrastou-se devagar, e Nina permaneceu isolada num canto sombrio do pasto, longe do calor do grupo. Sempre que tentava se aproximar do bebedouro para saciar a sede, as outras ovelhas paravam de beber e se afastavam, formando pequenos grupos cochichantes. Os olhares eram pesados, cheios de dúvidas e receios infundados. — Vocês viram como ela se equilibra? — perguntava uma ovelha, franzindo o nariz. — Será que ela consegue correr se o lobo aparecer? Pode colocar a gente em perigo! — E quando tivermos de mudar de pasto? — duvidava outra, batendo o casco impaciente. — Será que ela consegue subir a colina íngreme com aquela perna a menos? — Ela vai nos atrasar, com certeza — resmungou uma ovelha mais velha e rabugenta. — O rebanho precisa de velocidade, não de problemas.

O preconceito estava construindo, tijolo por tijolo, um muro invisível e frio entre Nina e o resto do rebanho. Elas não conseguiam ver a doçura no olhar de Nina, nem a coragem que ela tinha para enfrentar cada dia; os seus olhos estavam focados apenas no que faltava nela, e não no que ela tinha para oferecer. Nina se sentiu a ovelha mais solitária e pequena do mundo, olhando para as suas próprias patas e desejando, com todas as suas forças, ser "igual" às outras para ser amada.

O Passo de Coragem de Pérola 

Pérola, que observava tudo, sentiu o seu coração apertar. Ela lembrou-se de como o Davi a amava, mesmo quando ela se sujava ou se perdia. O amor do Pastor não escolhia favoritos.

Sem hesitar, Pérola saiu do meio do grupo e caminhou até Nina. — Olá, eu sou a Pérola — disse ela com um sorriso doce. — O teu pelo parece muito macio!

Nina levantou os olhos, surpresa. — Olá... eu sou a Nina. Você não se importa que eu... bem, que eu seja assim?

— Assim como? — perguntou Pérola, fingindo não entender. — Ah, você quer dizer especial e valente? Claro que não! O Davi diz que cada uma de nós é uma obra de arte única.

Pérola encostou o seu nariz no de Nina num cumprimento de ovelha. Depois, gritou para as outras: — Ei! A Nina sabe onde estão os trevos mais doces! Quem vem conosco?

Um Rebanho Completo

A atitude corajosa e gentil de Pérola foi como um raio de sol a derreter a neve do medo. O gelo quebrou-se instantaneamente. A curiosidade, que antes estava escondida atrás do muro do preconceito, finalmente venceu. Devagar, quase sem fazer barulho na relva, uma a uma, as outras ovelhas começaram a aproximar-se. Primeiro foi a mais jovem, depois até a mais rabugenta cedeu, até que Nina se viu cercada não por olhares de julgamento, mas por focinhos húmidos e amigáveis que queriam conhecê-la de verdade.

Elas perceberam rapidamente que, apesar de andar com um ritmo diferente e único, o coração de Nina batia no mesmo compasso que o delas. Ela adorava o cheiro de trevo fresco, adorava roçar a cabeça para pedir carinho e tinha um riso contagiante que alegrava o grupo. Nina não só mostrou que conseguia correr, como ensinou ao rebanho uma nova brincadeira: saltar o riacho com um impulso extra e cheio de estilo! Ela saltava com tanta alegria e determinação que as outras ovelhas pararam de olhar para a pata que faltava e começaram a admirar a força incrível que sobrava. O rebanho aprendeu uma lição valiosa naquele dia: a falta de uma pata não fazia de Nina "menos" ovelha; fazia dela uma ovelha completa e admirável que tinha superado um grande desafio com um sorriso no rosto.

Quando a noite caiu e o frio da montanha desceu sobre o vale, Nina não precisou de procurar um canto isolado e frio para dormir sozinha. Pela primeira vez na sua vida, ela foi convidada para o centro do círculo de dormir, o lugar mais quente e protegido de todos. Sentiu o calor suave da lã da Pérola de um lado e o corpo robusto das outras ovelhas do outro, formando um cobertor vivo de proteção e amor. Nina dormiu quentinha, segura e profundamente aceite. Ela percebeu, enquanto fechava os olhos, que não precisava de quatro patas para ser inteira ou feliz; só precisava de amigos verdadeiros que a vissem não com os olhos da cara, mas com os olhos do coração.

O Que a Bíblia Nos Ensina?

A Bíblia diz que Deus não vê como o homem vê. O homem olha para a aparência, mas o Senhor olha para o coração (1 Samuel 16:7). Às vezes, julgamos as pessoas por serem diferentes de nós — seja por uma deficiência, pela cor da pele, ou por qualquer outra coisa. Isso entristece a Deus.

Jesus amou e acolheu a todos, especialmente aqueles que a sociedade rejeitava. Ele ensinou-nos que no Seu rebanho há lugar para todos, e que somos todos importantes, cada um do seu jeito. A verdadeira deficiência não é física, é a falta de amor no coração.

Versículo para Decorar

"O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração." (1 Samuel 16:7 - NVI)

Lição do Dia

"Ser diferente não é um defeito; é apenas uma maneira especial de ser único."

Momento em Família 

Conversem juntos sobre inclusão:

  1. Como achas que a Nina se sentiu quando as ovelhas se afastaram? E como se sentiu quando a Pérola se aproximou?

  2. Conheces alguém que tem alguma deficiência ou é diferente de ti? Como podes ser como a Pérola e fazer essa pessoa sentir-se incluída e amada?

  3. O que significa "ver com o coração"? Tenta descrever uma pessoa que amas sem falar da aparência dela (fala da bondade, da alegria, etc.).

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