O Turno da Noite
Era a noite de Natal. Enquanto a maioria das crianças na vila já estava dormindo em suas camas quentinhas, sonhando com a manhã seguinte, Davi, o Pequeno Pastor, estava no campo gelado.
Era a vez dele vigiar o rebanho enquanto seu pai descansava um pouco na tenda. O vento soprava gelado, “fiuuu”, fazendo a ponta do nariz de Davi ficar vermelha. Ele puxou seu manto de lã mais para perto do pescoço e colocou mais um graveto na pequena fogueira que havia acendido.
Ao seu lado, a fiel ovelhinha Pérola roncava baixinho, parecendo uma bolinha de algodão perto do fogo.
O Viajante Silencioso
Davi olhava para as estrelas e pensava em como os pastores antigos, naquele mesmo tipo de campo, ouviram os anjos cantarem na primeira noite de Natal.
De repente, ele ouviu passos na grama congelada. Croc, croc, croc.
Pérola levantou a cabeça, alerta. Davi segurou seu cajado com firmeza, mas logo relaxou. Não era um lobo. Era um homem, um viajante. Ele parecia muito cansado, com roupas finas demais para aquele frio, e segurava uma trouxinha pequena. Sua barba era branca e seus olhos pareciam tristes de fome.
— Boa noite, pequeno pastor — disse o homem com voz fraca. — Será que eu poderia me aquecer um pouquinho no seu fogo? A caminhada até a próxima vila ainda é longa.
A Ceia Dividida
Davi olhou para o homem tremendo. Depois, olhou para a pequena bolsa de couro que sua mãe havia preparado. Dentro, havia apenas um pãozinho com queijo, a sua ceia de Natal, que ele estava guardando para comer quando a fome apertasse.
Davi estava com fome. O pão cheirava tão bem...
Mas então, ele olhou para o rosto do viajante. Ele lembrou que Jesus nasceu pobre, em um estábulo, e que José e Maria dependeram da bondade de estranhos.
— Claro, senhor. Sente-se aqui, no lugar mais quentinho — disse Davi, levantando-se do seu tronco.
O homem sentou-se e suspirou aliviado ao sentir o calor do fogo.
Davi pegou sua bolsa, tirou o pão com queijo e, sem hesitar, partiu-o ao meio. Ele ofereceu a maior metade para o viajante.
— Para dar força na caminhada — disse Davi, sorrindo.
O Calor do Coração
O viajante sorriu de volta. Foi um sorriso que iluminou o rosto dele mais do que a fogueira. Ele comeu devagar, agradecendo a cada mordida.
Eles ficaram ali em silêncio por um tempo, apenas observando as chamas e as estrelas. Depois que se aqueceu e comeu, o viajante se levantou. Ele parecia mais forte agora.
— Obrigado, Pequeno Pastor. Que Deus abençoe seu Natal — disse ele, e retomou seu caminho na escuridão.
Davi comeu sua pequena metade do pão. Ele ainda estava com um pouquinho de fome na barriga, mas seu coração? Ah, seu coração estava cheio! Ele sentiu uma alegria profunda, uma certeza de que, naquela noite fria, ao dividir seu pouco pão com um estranho, ele havia dado um presente de aniversário diretamente para Jesus.
A fogueira parecia brilhar ainda mais forte, e o frio já não incomodava tanto.
O que a Bíblia nos ensina? (Moral Cristã)
Essa história nos ensina uma das lições mais bonitas que Jesus deixou. Ele disse que, sempre que fazemos algo bom para alguém que precisa – dando comida a quem tem fome, água a quem tem sede, ou carinho a quem está sozinho – é como se estivéssemos fazendo isso para o próprio Jesus.
Davi não tinha riquezas para dar, mas deu o que tinha: seu calor e sua comida. O verdadeiro espírito de Natal é enxergar Jesus no rosto das outras pessoas e cuidar delas com amor.
Versículo para decorar:
"O Rei responderá: ‘Digo a verdade: O que vocês fizeram a um dos menores destes meus irmãos, a mim o fizeram’." (Mateus 25:40)
Lição do dia: Quando dividimos o que temos com quem precisa, estamos servindo a Jesus.
Momento em Família
Conversem sobre estas perguntas na noite de Natal:
Foi fácil para Davi dividir o único pão que ele tinha? Por que ele fez isso?
Você já sentiu seu coração "quentinho" depois de ajudar alguém, mesmo que tenha sido difícil?
Olhe ao redor (na família, na escola, na rua): quem poderia ser o "viajante com frio" que precisa da nossa ajuda neste Natal?
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