O Canteiro que Não Florescia
O Pequeno Pastor Davi era conhecido em toda a fazenda por seu sorriso fácil e vontade de ajudar. Mas, ultimamente, esse sorriso andava sumido e o seu coração parecia pesar uma tonelada. Durante semanas a fio, debaixo de sol e vento, ele tentou cultivar um jardim num pedaço de terra esturricada e cheia de pedras, bem perto da toca do Sr. Ouriço.
O Sr. Ouriço não era apenas um vizinho difícil; era o campeão da rabugice. Se Davi regava de manhã, ele reclamava do barulho da água caindo. Se Davi limpava o mato à tarde, ele resmungava que a poeira sujava sua porta. Nunca houve um "obrigado", apenas espinhos eriçados e resmungos. E para piorar, a terra parecia inimiga: por mais que Davi afofasse, adubasse e cantasse para as sementes, nenhuma folhinha verde aparecia. Para completar o desânimo, a vida do próprio Davi parecia "emperrada": o telhado da sua tenda tinha goteiras que ele não conseguia consertar e, à noite, olhando para o teto úmido, ele sentia-se completamente sozinho no seu esforço de ser bom.
— Eu faço tudo certo, não faço? — sussurrou Davi, largando o regador com um baque surdo na terra dura. — Eu sou paciente com o Sr. Ouriço, eu cuido desta terra feia, eu tento ser gentil. Mas nada muda. Nada floresce. Parece que estou a deitar água em pedras quentes que só sabem secar a minha alegria.
A Vontade de Desistir
Com um suspiro longo, Davi sentou-se numa pedra fria à beira do caminho. Ele olhou para as próprias mãos, calejadas e sujas de terra, e sentiu uma vontade imensa de abandonar tudo. O regador vazio parecia zombar dele. — Talvez não valha a pena ser bom — pensou ele, deixando uma lágrima escapar. — Eu dou o meu melhor, e o mundo me devolve silêncio ou reclamação. Os outros não se importam, e a minha vida não melhora nem um pouquinho. Para quê insistir?
Foi então que um som suave de arrastar na areia chamou sua atenção. Era a Vovó Janete, a tartaruga mais antiga e sábia da região, aproximando-se com seus passos lentos e deliberados. Ela parou ao lado dele, ajeitou os óculos na ponta do nariz e observou profundamente as lágrimas nos olhos do menino. — O peso que faz os teus ombros caírem não é do regador, pois não, Davi? — perguntou ela com a sua voz rouca, calma e cheia de compreensão. — É um peso muito maior. É o peso da espera e da dúvida.
Davi não aguentou mais segurar e desabafou tudo o que estava preso na garganta: — Vovó Janete, eu estou exausto! Parece injusto. Eu planto sementes de amor e paciência, mas só colho os espinhos e a ingratidão do Sr. Ouriço. Eu planto meu esforço nesta terra, mas ela continua seca e estéril. Por que Deus não faz florescer? Por que a minha bondade parece que se perde no vento e não volta para mim em forma de bênção?
O Segredo Debaixo da Terra
A Vovó Janete não lhe deu um sermão. Em vez disso, ela sorriu com ternura e, com a sua pata grossa e lenta, começou a cavar um buraquinho na terra aparentemente dura, bem ao lado de onde Davi tinha regado com tanta persistência. — Aproxima-te e olha aqui, pequeno. O que vês?
Davi limpou os olhos e espreitou. Para sua surpresa, debaixo daquela crosta seca, feia e rachada, a terra estava úmida. E mais do que isso: havia uma raiz grossa, branca e vigorosa, cheia de vida, espalhando-se profundamente para os lados, pulsando com energia. — Tu estás a olhar apenas para a superfície, Davi — disse Janete suavemente. — E a superfície, muitas vezes, conta mentiras. Ela diz-te que nada está a acontecer, que o teu trabalho é inútil. Mas a verdade é diferente. O bem que tu fazes é como esta raiz: vivo e forte, mas escondido.
— Mas eu queria ver as flores! Eu queria ver cores! — protestou Davi, ainda triste.
— Eu sei, meu querido. Mas as raízes crescem no escuro, no segredo, onde ninguém vê e ninguém aplaude — explicou a sábia Janete, cobrindo a raiz novamente com cuidado. — Elas precisam crescer muito lá em baixo para serem capazes de sustentar a beleza que virá cá em cima. Se a planta crescesse rápido demais sem raiz, o primeiro vento a derrubaria. Com o Sr. Ouriço é igual. A tua bondade está a criar raízes invisíveis no coração duro dele, amolecendo-o por dentro, mesmo que ele ainda não mostre as flores da gratidão. E na tua própria vida... ah, Davi... Deus está a usar este tempo de espera para fortalecer as tuas raízes, o teu carácter e a tua fé. Ele está a preparar-te para que, quando a grande bênção chegar, tu tenhas estrutura para sustentá-la sem tombar.
O Primeiro Broto
Davi limpou as lágrimas. Ele entendeu que não estava a desperdiçar tempo; estava a construir fundações invisíveis. A recompensa não era o aplauso imediato, mas a certeza de que a vida estava a crescer no segredo.
No dia seguinte, quando Davi voltou ao jardim, encontrou algo estranho. O regador já estava cheio de água fresca. E, preso na cerca do rabugento Sr. Ouriço, havia um bilhete mal escrito num pedaço de casca de árvore: "A terra está menos dura hoje."
Não era um "muito obrigado", e o jardim ainda não tinha flores. Mas era um sinal. Uma raiz tinha-se mexido. Davi sorriu, pegou no regador e voltou ao trabalho, não porque viu o resultado, mas porque sabia que o Dono da Colheita (Deus) nunca perde uma semente sequer.
O Que a Bíblia Nos Ensina?
É muito difícil quando fazemos o bem e parece que recebemos o mal (ou o silêncio) em troca. Sentimo-nos injustiçados. Mas a Bíblia ensina-nos sobre a "Lei da Semeadura". Há um tempo de espera entre o plantar e o colher.
O apóstolo Paulo sabia que ficaríamos cansados, por isso ele escreveu: "E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos" (Gálatas 6:9). Deus está a ver cada copo de água que dás, cada oração que fazes, cada vez que engoles uma resposta malcriada. Nada disso é perdido. Ele está a trabalhar nas raízes — na tua vida e na vida dos outros — mesmo quando a superfície parece seca.
Versículo para Decorar
"Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão." (1 Coríntios 15:58 - NAA)
Lição do Dia
"Não julgues o teu dia pela colheita que tiveste, mas pelas sementes que plantaste."
Momento em Família
Esta é uma conversa para curar corações desanimados:
Já te sentiste como o Davi? Já fizeste algo simpático por alguém e a pessoa nem ligou, ou foi chata contigo? Como é que te sentiste?
Pensa numa árvore gigante. O que a segura em pé? As raízes escondidas. Porque é que Deus, às vezes, demora a responder ou a mudar as coisas? Será que Ele está a criar raízes em nós?
Vamos orar por aquela "semente" que plantámos e que parece que morreu (um sonho, uma ajuda a alguém difícil). Vamos dizer a Deus: "Eu confio que estás a trabalhar nas raízes, mesmo que eu não veja."
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