A Verdadeira Magia

 




O Encantamento do Menino Bruxo 

Era uma tarde perfeita para ficar em casa. A chuva batia ritmicamente na janela da sala, criando um clima aconchegante, enquanto o cheiro de pipoca amanteigada enchia o ar. Nicoly, Paola e a irmã mais velha, Carol, estavam aninhadas no sofá, cobertas por uma manta fofinha, com os olhos vidrados na televisão. Elas assistiam, fascinadas, ao famoso filme do "Menino Bruxo da Cicatriz" e suas aventuras na escola de magia.

A cada cena, o encantamento crescia. Viam vassouras voarem velozes como águias, penas flutuarem obedecendo a palavras estranhas em latim e objetos inanimados ganharem vida e transformarem-se em animais. O mundo da tela parecia muito mais emocionante do que a sala de estar delas. — Uau! — suspirou Paola, sem piscar. — Eu queria tanto fazer isso! Imagina só, arrumar a bagunça do quarto com um simples estalar de dedos, sem ter de levantar! — Eu queria voar por cima das nuvens! — completou Nicoly, subindo no braço do sofá e estendendo a mão para o teto. — Flutuares Temporus! — gritou ela, tentando imitar o sotaque dos personagens.

Carol riu da empolgação das irmãs, mas com carinho. — Calma aí, pequenas bruxinhas. Não se esqueçam de que isso é só um filme. É tudo fantasia, efeitos especiais de computador.

A Varinha que Não Funcionava 

Quando o filme acabou e a tela ficou preta, a casa pareceu de repente muito silenciosa e sem graça. A chuva lá fora já tinha diminuído para uma garoa fina. Decididas a testar se tinham algum poder secreto, as meninas correram para o jardim molhado. Nicoly e Paola procuraram entre os arbustos até encontrarem gravetos secos que se parecessem com varinhas.

Com a postura séria de quem vai realizar um grande feito, elas apontaram os gravetos para o cachorro da família, o Bolota, que dormia na varanda. — Cachorrus Sentadus! — gritou Nicoly, sacudindo o graveto com força. O Bolota apenas abriu um olho, bocejou preguiçosamente, abanou o rabo e saiu andando para longe daquela barulheira. — Brinquedus Arrumadus! — tentou Paola, correndo de volta para a sala e apontando para as bonecas espalhadas no chão. Ela concentrou toda a sua força, fechou os olhos e esperou. Quando os abriu, as bonecas continuavam exatamente no mesmo lugar.

A frustração tomou conta dos seus rostinhos. Os ombros caíram e os "varinhas" foram jogadas no sofá. — Que chato... — suspirou Paola, cruzando os braços. — A magia não existe de verdade. A gente é "trouxa" mesmo, como diz no filme. Somos comuns, sem poder nenhum. Nada de incrível acontece no mundo real.

Carol, que observava a cena da porta da cozinha, sentiu a tristeza das irmãs. Ela sabia que aquele desejo de ver coisas extraordinárias era algo precioso. Com um brilho nos olhos, ela foi até a estante mais alta da sala e, com cuidado, pegou um livro grande, antigo, com capa de couro e bordas douradas. — Sabiam que vocês estão enganadas? — disse Carol, com um tom de mistério que fez as duas levantarem a cabeça. — Existe, sim, um Livro de Poder que conta histórias reais, acontecimentos muito mais impressionantes do que qualquer coisa naquele filme.

O Livro do Poder Real 

Curiosas, Nicoly e Paola sentaram-se rapidamente ao redor de Carol no tapete. — É um livro de feitiços secretos? — perguntou Nicoly, esticando o pescoço. — Muito melhor — respondeu Carol, abrindo a Bíblia com reverência. — No filme, eles precisam de varinhas de madeira e penas de fênix para transformar um copo num rato. Mas neste livro, nós conhecemos um Deus que não precisou de varinha nenhuma. Ele usou apenas a Sua voz para criar o Universo inteiro! Ele disse "Haja Luz", e a luz explodiu na escuridão, criando o sol, a lua e as estrelas.

Carol começou a folhear as páginas, narrando com emoção: — No filme, eles usam feitiços para destrancar portas. Aqui, Deus abriu o próprio Mar Vermelho ao meio, criando paredes de água gigantescas para um povo inteiro passar a pé enxuto! No filme, eles curam machucados com poções difíceis de fazer. Aqui, Jesus fez cegos verem cores pela primeira vez e paralíticos correrem de alegria apenas com um toque da Sua mão. E o mais incrível de tudo: no filme, a magia luta contra o mal, mas às vezes falha ou é fraca. Aqui, o nosso herói, Jesus, venceu o maior inimigo de todos, a morte, e voltou a viver para sempre!

Os olhos de Paola e Nicoly brilhavam intensamente, mas agora não era o reflexo da TV. Era o brilho da descoberta. — E isso... isso tudo aconteceu mesmo? De verdade? — perguntou Paola, com a voz baixinha. — Sim — respondeu Carol, fechando o livro suavemente. — A magia do filme é "faz-de-conta", criada por pessoas. Os milagres da Bíblia são "faz-de-verdade", feitos pelo Criador de todas as coisas.

A Maior Magia de Todas

Nicoly olhou para o seu graveto caído no chão e depois para a Bíblia imponente na mesa. — Mas Carol... a gente não consegue abrir o mar. A gente não tem esse poder. Então, somos comuns mesmo?

Carol sorriu e abraçou as duas irmãs bem forte. — Nós temos algo muito melhor e mais poderoso que uma varinha mágica de madeira. Nós temos a Oração. No filme, eles precisam decorar palavras difíceis em latim e fazer o movimento certo com a mão. Nós só precisamos falar com o nosso Pai do Céu, em qualquer lugar, a qualquer hora.

Ela continuou, olhando nos olhos de cada uma: — A magia do filme tenta mudar as coisas por fora — fazer objetos voarem ou mudarem de cor. Mas o poder de Deus é maior porque muda o coração por dentro. Ele transforma a tristeza em alegria, o medo em coragem e o egoísmo em amor. Que feitiço no mundo consegue transformar um coração duro num coração bondoso? Só Deus faz isso.

Naquela noite, antes de dormir, as meninas não procuraram seus gravetos. Em vez de tentarem fazer a lâmpada flutuar, elas juntaram as mãoszinhas e fecharam os olhos. Fizeram uma oração simples e sincera. E, naquele quarto silencioso, sentiram uma paz quentinha encher o coração, uma alegria que nenhum filme poderia dar. Elas descobriram que não precisavam ser bruxas numa escola de fantasia para viverem coisas sobrenaturais; bastava serem filhas amadas do Rei do Universo.

O Que a Bíblia Nos Ensina? 

É muito divertido usar a imaginação, ler livros de aventura e brincar de faz-de-conta. Deus deu-nos a criatividade como um presente! Mas é muito importante que o nosso coração saiba a diferença entre a magia (que é fantasia, tenta controlar as coisas e muitas vezes nos afasta da verdade) e o milagre (que é o poder real e soberano de Deus agindo por amor a nós).

A Bíblia mostra-nos que o poder de Deus não depende de poções, varinhas ou palavras mágicas. Ele é o Criador de tudo o que existe. E a notícia mais fantástica é que esse Deus todo-poderoso inclina os ouvidos para ouvir a tua voz! Você não precisa dizer "Abracadabra". Você só precisa dizer "Pai, em nome de Jesus", e o Dono do Universo para tudo o que está a fazer para te escutar e agir na tua vida.

Versículo para Decorar

"Porque a palavra de Deus é viva e eficaz." (Hebreus 4:12 - NAA)

Lição do Dia

"A magia é uma brincadeira da imaginação, mas o milagre é o poder real de Deus em ação."

Momento em Família 

Conversem sobre o que é real e o que é fantasia:

  1. Pensem em alguma mágica incrível que já viram num filme ou desenho. Agora, qual história da Bíblia vocês acham que é ainda mais poderosa e impressionante do que essa mágica?

  2. Por que é que a oração é mais poderosa do que uma varinha mágica? (Dica: A varinha é um pedaço de madeira de mentira; a oração conecta-nos com Quem fez a madeira, a floresta e o mundo inteiro).

  3. Que tal agradecer a Deus pela nossa imaginação, que nos deixa brincar e sonhar, e pela Bíblia, que nos conta a verdade e nos mostra o caminho real?

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