Uma Amizade nas Alturas
O Macaquinho Calixto era pura energia. Ele pulava de galho em galho, dava cambalhotas no ar e falava muito rápido. Já a sua melhor amiga, a Preguiça Clara, era o exato oposto. Ela movia-se devagarinho, falava arrastado e adorava sentir o vento no rosto de olhos fechados.
Apesar de serem tão diferentes, eles amavam-se muito. Eram parceiros inseparáveis. Calixto trazia as frutas mais suculentas para Clara, que não conseguia descer rápido para pegá-las, e Clara, por sua vez, ensinava Calixto a ter calma, ouvir o canto dos pássaros e não fazer tudo com pressa. — Você é a âncora do meu barco agitado, Clara! — dizia Calixto, dando uma cambalhota. — E você... é o vento... nas minhas velas, Calixto... — sorria Clara, devagarinho.
Eles dividiam a mesma grande Castanheira, dormiam nos mesmos galhos e riam das mesmas coisas. A vida era perfeita.
A Grande Água
Mas o outono trouxe algo que nenhum animal da floresta podia controlar. Começou a chover. Não foi uma chuva de um dia, mas de semanas a fio. O rio da fazenda encheu tanto que transbordou, alagando uma grande parte da floresta.
Numa daquelas manhãs de chuva forte, Calixto acordou assustado num galho de um Carvalho e percebeu algo terrível. A água estava tão alta e corria tão rápida que havia formado um verdadeiro mar entre a árvore dele e a Castanheira onde Clara estava.
Calixto tentou descer, mas a água batia com violência. Ele não sabia nadar naquela correnteza. A sua amiga, a Clara, que demorava muito a descer de uma árvore, muito menos. Eles estavam isolados. Estavam perto o suficiente para se verem de longe, mas separados por uma força da natureza que não podiam vencer.
O Peso da Saudade
Os primeiros dias foram muito difíceis para Calixto. Ele sentia um aperto no peito que nunca tinha sentido antes. Uma mistura de medo, ansiedade e uma tristeza profunda. Ele andava de um lado para o outro no seu galho, inquieto. "E se a água nunca baixar?", pensava ele, angustiado. "E se ela achar que eu a esqueci? E se eu nunca mais ouvir a voz baixinha dela?"
A distância parecia um monstro que queria engolir a alegria dele. Calixto parou de comer direito. Ele ficava o dia todo olhando para o rio, cabisbaixo. A depressão da solidão começava a pesar nos seus ombros.
O Pequeno Pastor Davi, navegando por ali num barquinho de madeira improvisado, viu o macaquinho triste e remou até a árvore dele. — Calixto, o que se passa? — perguntou Davi. — A Grande Água levou a minha amiga para longe, Davi — choramingou o macaco. — A saudade dói muito. Eu tenho medo de que este rio seja mais forte do que a nossa amizade.
Davi sorriu com muita compaixão e apontou para o outro lado da margem. — Olhe bem para a Clara, Calixto.
A Força Invisível do Amor
Calixto olhou. Lá longe, pendurada na Castanheira, estava a Clara. Ela não estava agitada. Ela não andava de um lado para o outro. Com muito esforço, ela estava a levantar um longo braço, devagarinho, e a acenar para ele. E, mesmo de longe, Calixto podia ver que ela estava a sorrir.
— Você acha que a Clara não está com saudades? — perguntou Davi. — Ela deve estar... — respondeu Calixto. — E por que ela não está desesperada? — Davi explicou. — Porque o amor verdadeiro, Calixto, não precisa estar colado todos os dias para existir. A água pode separar vocês, mas nunca os seus corações. O medo, a tristeza e a distância são apenas "estações" da vida. O amor é como a raiz da Castanheira: não se vê, mas sustenta tudo.
Calixto respirou fundo. Aos poucos, a ansiedade começou a acalmar. Ele entendeu que amar não era só estar perto para rir; amar era também saber esperar com esperança, confiando que o que eles sentiam era maior que aquele obstáculo.
Calixto apanhou uma linda orquídea amarela que crescia no seu galho e levantou-a bem alto, para que Clara pudesse ver. Era o jeito dele dizer: "Eu estou aqui. Eu amo você. E eu vou esperar." Clara sorriu ainda mais e assentiu devagar. O rio continuava lá, largo e perigoso, mas a ponte do amor e da paciência já tinha cruzado as águas.
O Que a Bíblia Nos Ensina?
Esta história nos fala muito sobre o amor de que o apóstolo Paulo escreveu. Em 1 Coríntios 13:7, a Bíblia diz que o amor "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta".
Às vezes, na vida, passamos por situações que não podemos controlar: um amigo que se muda para longe, um familiar que está doente, ou até momentos de ansiedade e tristeza profunda (depressão), que parecem um rio separando-nos da alegria. Mas o amor que Deus coloca em nós — e o próprio amor de Deus por nós — é maior que qualquer enchente.
Quando amamos de verdade, não deixamos de amar só porque as coisas ficaram difíceis ou distantes. A saudade dói, sim, mas o amor nos dá paciência e esperança para esperar o rio baixar. E mesmo quando nos sentimos sozinhos num "galho", Deus está no barquinho conosco, lembrando-nos que o verdadeiro amor suporta tudo.
Versículo para Decorar
"O amor é paciente, o amor é bondoso... tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." (1 Coríntios 13:4-7 - NVI)
Lição do Dia
"O amor verdadeiro é uma ponte que nenhuma enchente de problemas consegue derrubar."
Momento em Família
Conversem sobre saudades e paciência:
A Distância: O que aconteceu para que o Calixto e a Clara ficassem separados? Alguma vez você já teve que ficar longe de alguém que amava muito? Como se sentiu?
A Reação: Porque que o Calixto estava com medo e a Clara estava tranquila? O que a paciência tem a ver com o amor?
A Ponte Invisível: Pensem numa pessoa que amam muito mas que não veem há algum tempo. Vamos telefonar a essa pessoa hoje ou escrever uma mensagem para dizer: "O rio é largo, mas o amor é maior!"?
Comentários
Postar um comentário